Meu embarque estava marcado para o dia 4 de janeiro, às 18h25, pela South African Airways. Minha irmã, meu cunhado e meus sobrinhos foram ao aeroporto me levar, ainda não acreditando que eu estava indo mesmo para tão longe. No balcão do check-in, fui abordada por um homem que levei alguns segundos para perceber que era da Polícia Federal. Ele queria saber porque eu, mulher e sozinha estava embarcando para a África do Sul. Expliquei que era para a Tailândia e aí o sujeito realmente ficou meio pasmo. Viu que meu passaporte era recente e quis saber o que eu fazia, por que eu estava indo, enfim.....fez umas 20 perguntas achando que eu ia longe demais.
O papo acabou quando ele me perguntou:
- Então, você trabalha numa empresa farmacêutica? Isso significa que você trabalha com drogas, certo?
E eu: - Sim, certo, todas drogas lícitas e comercializáveis.
Ele deve ter se convencido de que eu era mesmo maluca e me desejou boa viagem.
Nunca tive problema algum com aviões, mas ficar horas dentro de um é realmente sacal. Lembrando que essa era, apenas, a primeira metade da viagem. Pra variar, eu esqueci de levar um livro e não consegui dormir. Ensaiei uns cochilos, mas nada. No entanto, estar acordada me rendeu uma das visões mais bonitas que já tive até hoje: o nascer do sol a caminho de Johannersburg. Inacreditável! O horizonte todo ficou riscado de azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Fiquei um bom tempo olhando aquelas cores lindas e tentando me convencer de que eu estava mesmo indo à Tailândia.
O vôo foi tranqüilo, exceto pelo fato de que entender sul-africanos falando inglês é como tentar entender italianos falando armênio. O sotaque das aeromoças era engraçado. Quando eu estava quase conseguindo cochilar, fui acordada por uma voz aguda me perguntando: Beef or "tsiquen"? Fui de "tsiquen", mesmo. Mal comecei a comer, veio outra aeromoça: Coffee or "tsi"?
Enfim....o vôo foi demorado, mas depois das longas 8 horas, desembarquei em Johannesburg. A diferença de fuso é de 6 horas a mais que no Brasil. Ou seja, eu teria chegado lá às 2h00 A.M, mas cheguei às 8h00.
O aeroporto é imenso, muito bem sinalizado, com enormes esteiras rolantes para você dar conta de andar o tanto que é necessário. O mais engraçado são as paredes dos corredores, cheias de bichos coloridos (postei a foto lá em cima).
Peguei a fila para trocar minha passagem pelo boarding pass e dei início à minha imersão no inglês. Meu inglês não é fluente, mas até eu me surpreendi com a minha performance. Sempre que eu pedia desculpas pelo meu inglês não fluente, as pessoas me olhavam com cara de "é piada?". Conheci três australianos que me disseram que eu não sabia o que era inglês ruim. Isso até ouvir chinês falando inglês...rs..rs. Voltando ao balcão, recebi a informação de que eu teria que amargar mais 2 horas sentada porque o balcão da Thai Airways só abria às 10h00. Imaginem o tédio! Nesse intervalo, acompanhei embarques, problemas, papos, discussões de noruegueses, indianos, suíços, chineses, coreanos e vi várias mulheres de burka.
Como é que eu sei a nacionalidade de cada um deles? Indiano não precisa perguntar. Chineses e coreanos embarcavam pela Qatay Airways que faz vôos para a China e Coréia.Os suíços eu descobri pela capa do passaporte. E os noruegueses porque pareciam desfilar numa parada, todos uniformizados com camisas do país. Foi divertido. Escutei de tudo e aquilo é maluco: ficar 2 horas ouvindo as pessoas falarem os mais diferente idiomas e não entender absolutamente nada!
Enfim, depois da espera, de alguns copos de café com leite pra acordar, o balcão da Thai Airways abriu! :)
E eu já estava no dia 5 de janeiro.


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