terça-feira, 4 de março de 2008

Em Bangkok - 4º dia de viagem




Depois de mais de 20 horas de avião, o sono realmente tomou conta de mim. Tomei um banho e desmaiei na cama. Claro que eu dormi feito pedra e perdi a hora por um leve detalhe: acertei o celular para tocar mas não dei ok. Resultado, acordei com o telefone e a pergunta: Where are you???

Pausa de 5 segundos para processar e o máximo que respondi para a Kris foi que eu estava indo.

Encontrei com ela e pedi desculpas pelo atraso, mas eu realmente estava cansada. Ela me entendeu. Ainda assim, foi meio sonâmbula que eu cheguei ao Wat Phra Kaeo Complex - Templo Real, um dos lugares mais lindos de Bangkok. A arquitetura é totalmente diferente daquilo que conhecemos. Cores e formas exóticas se combinam de uma maneira tão harmoniosa, que aquilo que poderia parecer overdose de cores e detalhes, acaba sendo uma obra-prima, daquelas que se poderia passar um dia inteiro olhando e não cansar.

Adorei o hábito de ter que tirar sapato ou chinelo nos templos. Eu que adoro andar descalça me senti em casa. A Kris me deixou super à vontade para explorar alguns lugares sozinha. Fui ver o Buda de Esmeralda e fiquei encantada. Não se pode tirar fotos, mas ele é de uma magnitude impressionante. O templo, então, é inacreditável. Madrepérola se sobrepõe a vidros, paredes douradas, esculturas detalhadas.....um verdadeiro prazer de olhar aquilo e imaginar quanto trabalho e história não existem ali.
Foi lá também que, pela primeira vez, eu vi uma flor de lótus e entendi o fascínio que ela exerce sobre as pessoas. É deslumbrante!
Andamos por todo o Complexo (que estava lotado de turistas, o que impossibilitava tirar uma foto sem um desconhecido ao fundo) e fotografei tudo que eu vi. Meio sonada, é verdade, mas algumas fotos saíram boas. Pelo menos, consegui registrar tudo que gostei de ver.
Depois de quase uma hora andando e percorrendo o Complexo, a Kris me levou à Ramakien Gallery, uma galeria de corredores com paredes pintadas ilustrando a história da Tailândia. É inacreditável. Figuras místicas, cenas históricas, réplicas do templo contam a evolução do antigo Reino do Sião.
Depois de muito andar, eu que não tinha almoçado, queria mesmo era uma cama. Pegamos um trânsito enorme na volta porque Bangkok depois das 18h00 tem o mesmo caos nas ruas que SP.
Eu me diverti vendo as peripécias dos tuk tuks na rua. Um mais louco que o outro, realizando manobras impensáveis.
Cheguei ao hotel e resolvi comer alguma coisa. Me prometi que não comeria nada que não fosse comida tailandesa (e cumpri durante toda a viagem!) e pedi logo um Tom Yum Goong - uma sopa picante de camarão. Com mmmmmmuuuuuita pimenta, mesmo. Mas deliciosa! Tomei uma coca para aliviar o incêndio na boca e subi para o quarto desejando ser a bela adormecida.
Antes de deitar, dei um jeito na mala que a Polícia federal remexeu, li alguns prospectos que peguei no hotel e outros que Kris me deu. Decidi dar uma volta porque queria ver Bangkok à noite. Fui comprar phonecards no Seven Eleven (uns 3 quarteirões do hotel) e curti muito ouvir as pessoas falando tailandês, aquele cheiro delicioso das comidas feitas na rua e a animação dos camelôs sempre sorridentes.
Passei por Patpong, o mercado noturno, mas não curti muito porque a maioria dos produtos eram fake: bolsas Prada, jóias Tiffany, Dolce & Gabanna..enfim....nada interessante. Quase um promocenter. No entanto, me surpreendeu o número de casas noturnas. Muitas delas, com as portas abertas que deixavam ver garotas num palco semi-iluminado, dançando e fazendo strip-tease. Dois "armários" guardavam a porta e revistavam os que se aventuravam a entrar. Meio deprê. Vc via que algumas eram bem jovens, metidas em roupas minúsculas, tentando rebolar sensualmente, mas com uma expressão no rosto que nada demonstrava prazer. Era trabalho.
Andei mais um pouco e cansei porque a pilha estava acabando e meu cérebro mal sabia raciocinar. Antes ainda, passei numa farmácia e comprei um leave-in para os cabelos. Imaginem se eu, que quase não gosto de cosméticos, ia voltar da Tailândia de mãos abanando? Mas nem, heim?
Cheguei ao hotel, feliz com a minha compra, deitei e apaguei geral.



segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

6 de janeiro - Chegada a Bangkok



Cheguei a Bangkok meio atordoada de sono, mas fiquei admirando o aeroporto todo porque é realmente lindo. Precisei primeiro procurar a Imigração, para poder dar entrada no país. Com o comprovante internacional de vacinação contra a febre amarela, tive que preencher nova ficha que foi grampeada no meu passaporte e que eu deveria entregar quando deixasse o país. Voltei ao guichê (andei pra caramba) e enfim, fui liberada para entrar na Tailândia. Fui procurar a lista eletrônica de vôos para saber em qual das várias esteiras estaria a minha bagagem, que foi diretamente do Brasil para lá. Localizada a bagagem, eu estava literalmente a um passo da saída do aeroporto. Mas.....dois sujeitos me pararam e de onde eram? Polícia Federal. Sinceramente? Tenho cara de traficante? Aí foi a prova de fogo do meu inglês. Um deles era legal mas o outro revirou minha mala inteira, abriu tudo que achou, cheirou shampoo, pasta de dente...enfim....uma bizarrice. Ele quis saber o que era cada remédio que eu levava, lembrando que só levei um kit básico: neosaldina, buscopan, imosec, epocler, omeprazol e dramim. Expliquei um por um. Um saco. Aí ele começou a sessão pergunta:
- Por que veio sozinha?
- Por que a Tailândia?
- Tem amigos na Tailândia?
- Quando volta ao Brasil?
- Onde vai ficar?
Tive que desembolsar voucher por voucher dos hotéis, passagens, passaporte.....enfim....o sujeito me fez até sentar pra esperar o que mais ele ia inventar. O outro, vendo que aquilo era realmente ridículo, falou qualquer coisa em tailandês, pediu desculpas, me desejou uma boa estadia e bom retorno ao Brasil. Agradeci, arrumei a zona da mala e enfim, consegui sair para o meeting point. Eu tinha passado no teste de inglês...rs.
Lá estava a Kris (Krittanan), me esperando sorridente, com uma plaquinha com o meu nome. Uma figura. Simpática e muito gentil. Tinha garrafa de água, lenços umedecidos para higiene das mãos, me deu umas bolachinhas e queria saber se eu estava bem. Respondi que sim mas que não tinha dormido nada. Fomos pegar um táxi para que ela me levasse até o hotel. Qual não foi a minha surpresa ao notar, às quase 7 da manhã, que os táxis em Bangkok são coloridíssimos? A maioria é Corolla e tem pink, azul, laranja, verde limão e os bicolores. É muito engraçado. Eu não estava acreditando naquilo. Eu, querendo um banho, uma cama, sem conseguir pensar, metida dentro de um corolla pink, que voou pelas avenidas e viadutos de Bangkok, como explicou depois a Kris, "para evitar congestionamento". Ah....a mão é inglesa.
Nesse horário, ninguém obedece semáforo e o cara andava a uns 120 nas ruas!
Quase uma meia hora depois, chegamos ao hotel: The Siam Heritage - 115/1 Surawong Road, Bangrak. (http://www.thesiamheritage.com/). A Kris subiu comigo e me esperou fazer o check in. Depois disso, combinou de me pegar às 13h30 para irmos ao The Grand Palace - Wat Phra Kaeo Complex, para vermos o Palácio Real e o Buda de Esmeralda.
Fui para o quarto, me enfiei numa banheira quentinha, tomei um banho demorado, me vesti e caí na cama. Procurei o celular para colocar para despertar e lembrei que deixei não só ele, mas o envelope com todos os Bahts que eu tinha trocado no câmbio, na recepção. Corri lá e peguei os dois. Guardei o dinheiro no cofre, coloquei o celular para despertar e desmaiei.


5 de janeiro - de Johannesburg a Bangkok








Don Muang International Airport
(fotos tiradas do Google)
Depois das 4 horas de espera, pés redondos de inchaço, um sono impossível de controlar, embarcar num avião da Thai Airways foi impactante. As aeromoças recebem você com o tradicional Sawadee, que é uma saudação como a da foto acima. Elas se vestem com saias longas de tecidos brilhantes, com muito dourado, seda , cetim e cores vibrantes. Elas são muito elegantes e muito gentis. As poltronas são de cores diferentes, alternando o roxo, o pink e o amarelo. Nas paredes do avião, estão folhagens sombreadas num desenho simpático. Além disso, eu ia poder ver filmes e isso já me deixou mais animada. Afinal, seriam mais 10 horas e 50 minutos de vôo até Bangkok. E eu não tinha dormido.
Minha alegria não durou muito quando uma mulher sentou ao meu lado com um cheiro insuportável de vinagre. Não sei o que era mas era de matar. A poltrona era meio apertada para ela e, cada vez que ela esbarrava em mim, dizia "Sorry". Calculo ter ouvido uns 379 "sorry" até Bangkok porque ela não parava de se mexer. Tentei cochilar, grudando a cabeça e o travesseiro na janela, mas não conseguia. Durava alguns minutos e eu acordava. Decidi assistir alguma coisa. Escolhi Ratatouille que eu ainda não tinha visto. Assisti em inglês com legenda em tailandês :)
Pela primeira vez, ouvi o idioma tailandês, falado no avião e é absolutamente impossível entender qualquer coisa. Ele é mais sonoro e anasalado que o japonês. Mas tão ou mais difícil quanto.
No vôo da Thai, você recebe um livrinho contendo o cardápio, para poder escolher a refeição.
O trecho Johannesburg - Bangkok tem o seguinte cardápio:
First Course - Smoked Chicken with Potato Salad
Main Course - Beef in Red Curry with Bambooshoot, Steamed Thai Hom Mali Rice, Poached Pak Choy and Sauteed Carrot or
Pan-fried Nile Perch with Shiitake mushrooms in Oyster sauce, potatoes with Parsley Butter, Broccoli and Cherry tomato.
Dessert - Caramel Sponge Cake, Butterscotch Sauce
Second Serving - Fresh fruit (watermellon, pineapple, papaya)
Main Course: Plain Omelet, Chicken sausage, Potato Cheesecake, tomato or
Egg fried Rice, Chicken in Oyster sauce chinese style.
Simpático, não? Só me arrependi de ter pedido suco de tomate que estava horrível, mal temperado....um terror. Pedi um cobertor porque estava frio e veio um roxo, super bonito. Dei umas pescadas porque o cansaço era grande, mas dormir mesmo, não rolou. Depois de infindáveis horas, cheguei a Bangkok e mesmo antes do pouso fiquei apaixonada pelas cores, luzes e design moderno e arrojado do aeroporto Don Muang. É lindo visto do alto!
Agora, eram 6 da manhã em Bangkok, dez horas a mais que no Brasil. No desembarque, as aeromoças dão um arranjo com duas orquídeas lindas para cada passageiro. Desembarquei olhando todos os detalhes do aeroporto que é tão lindo por dentro quanto por fora. Eu já estava no dia 6 de janeiro.

4 de janeiro - o embarque

Meu embarque estava marcado para o dia 4 de janeiro, às 18h25, pela South African Airways. Minha irmã, meu cunhado e meus sobrinhos foram ao aeroporto me levar, ainda não acreditando que eu estava indo mesmo para tão longe. No balcão do check-in, fui abordada por um homem que levei alguns segundos para perceber que era da Polícia Federal. Ele queria saber porque eu, mulher e sozinha estava embarcando para a África do Sul. Expliquei que era para a Tailândia e aí o sujeito realmente ficou meio pasmo. Viu que meu passaporte era recente e quis saber o que eu fazia, por que eu estava indo, enfim.....fez umas 20 perguntas achando que eu ia longe demais.

O papo acabou quando ele me perguntou:


- Então, você trabalha numa empresa farmacêutica? Isso significa que você trabalha com drogas, certo?

E eu: - Sim, certo, todas drogas lícitas e comercializáveis.

Ele deve ter se convencido de que eu era mesmo maluca e me desejou boa viagem.

Nunca tive problema algum com aviões, mas ficar horas dentro de um é realmente sacal. Lembrando que essa era, apenas, a primeira metade da viagem. Pra variar, eu esqueci de levar um livro e não consegui dormir. Ensaiei uns cochilos, mas nada. No entanto, estar acordada me rendeu uma das visões mais bonitas que já tive até hoje: o nascer do sol a caminho de Johannersburg. Inacreditável! O horizonte todo ficou riscado de azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Fiquei um bom tempo olhando aquelas cores lindas e tentando me convencer de que eu estava mesmo indo à Tailândia.

O vôo foi tranqüilo, exceto pelo fato de que entender sul-africanos falando inglês é como tentar entender italianos falando armênio. O sotaque das aeromoças era engraçado. Quando eu estava quase conseguindo cochilar, fui acordada por uma voz aguda me perguntando: Beef or "tsiquen"? Fui de "tsiquen", mesmo. Mal comecei a comer, veio outra aeromoça: Coffee or "tsi"?

Enfim....o vôo foi demorado, mas depois das longas 8 horas, desembarquei em Johannesburg. A diferença de fuso é de 6 horas a mais que no Brasil. Ou seja, eu teria chegado lá às 2h00 A.M, mas cheguei às 8h00.

O aeroporto é imenso, muito bem sinalizado, com enormes esteiras rolantes para você dar conta de andar o tanto que é necessário. O mais engraçado são as paredes dos corredores, cheias de bichos coloridos (postei a foto lá em cima).

Peguei a fila para trocar minha passagem pelo boarding pass e dei início à minha imersão no inglês. Meu inglês não é fluente, mas até eu me surpreendi com a minha performance. Sempre que eu pedia desculpas pelo meu inglês não fluente, as pessoas me olhavam com cara de "é piada?". Conheci três australianos que me disseram que eu não sabia o que era inglês ruim. Isso até ouvir chinês falando inglês...rs..rs. Voltando ao balcão, recebi a informação de que eu teria que amargar mais 2 horas sentada porque o balcão da Thai Airways só abria às 10h00. Imaginem o tédio! Nesse intervalo, acompanhei embarques, problemas, papos, discussões de noruegueses, indianos, suíços, chineses, coreanos e vi várias mulheres de burka.
Como é que eu sei a nacionalidade de cada um deles? Indiano não precisa perguntar. Chineses e coreanos embarcavam pela Qatay Airways que faz vôos para a China e Coréia.Os suíços eu descobri pela capa do passaporte. E os noruegueses porque pareciam desfilar numa parada, todos uniformizados com camisas do país. Foi divertido. Escutei de tudo e aquilo é maluco: ficar 2 horas ouvindo as pessoas falarem os mais diferente idiomas e não entender absolutamente nada!
Enfim, depois da espera, de alguns copos de café com leite pra acordar, o balcão da Thai Airways abriu! :)
E eu já estava no dia 5 de janeiro.

Férias na Tailândia

Minha idéia de me aventurar na Tailândia começou em novembro. Com a possibilidade de tirar 30 dias de férias, decidi aproveitá-las da melhor maneira possível. Como eu nunca havia saído do Brasil, nada mais legal que querer ir para o exterior. Mas como em se tratando de mim, escolhas comuns não são a regra, optei pela Tailândia, país que eu sempre achei curioso, fascinante, paradisíaco.
Comprei um guia de viagens sobre o país e li tudo que eu podia. Cheguei à conclusão de que 20 dias seriam insuficientes para tanta coisa bonita e interessante. Acabei escolhendo conhecer a parte mais tradicional que é o Norte, além de Bangkok e do sul do país.
Descrevo a seguir, dia a dia a minha aventura maravilhosa!